A prática espaçada e intercalada como estratégia de estudos
- O estudante informal

- 11 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 12 de jan.

A prátia de recuperar informações da memória não é algo intuitivo para nós como estratégia de estudos, mas, contudo, quando o assunto é atividade mecânica como no caso de algum esporte é fácil ver este tipo de situação corriqueiramente sendo levada muito a sério.
Eu mesmo, em minha adolescência, lembro nitidamente quando o professor de tênis jogava a bola sempre do mesmo jeito e no mesmo lugar para que eu pudesse devolvê-la sempre fazendo o mesmo movimento com o braço para rebater a devolução.
Era ensaiado, previsível e toda correção se dava com o intuito de decorar o movimento fazendo a raquete terminar por trás das costas.
Essa repetição era feita sempre variando com outros movimentos a fim de aperfeiçoar meu jogo em quadra.
Lembro que fazíamos um pouco de bola na esquerda, outro tanto na direita e diversos outros movimentos os quais são próprios do tênis, ainda que houvesse uma prática intensiva sempre havia alguma variação de movimento a fim de melhorar o aprendizado do esporte.
O mito da prática intensiva
Tendemos a crer desde de muito pequeno - claro que é porque fomos ensinados assim - que a aprendizagem se dá melhor quando feito de forma repetida, estudando uma única matéria e no menor tempo possível, porém, quando se trata de aprendizado para o longo prazo as coisas mudam.
A prática intensiva funciona bem quando necessitamos da informação a tiracolo, no entanto, para uma cognição de longo prazo, estudos revelam outra prática bem menos intuitiva e muito menos gostosa de se manter.
A fé de que estudar uma matéria ou assunto por vez até aprender está arraigada não só em alunos iniciantes, mas também em alunos veteranos e professores que por terem muita dificuldade em fazer seu trabalho em sala de aula optam pelo caminho mais fácil e rápido a fim de empurrar o aluno para o próximo ano letivo.
Faz sentido tal crença, primeiro porque na prática intensiva o estudante percebe com certa facilidade o “progresso” em seu aprendizado.
Segundo, porque o fato do aluno ter que fazer uma prova horas ou dias depois ele vê em sua nota que o conhecimento estava realmente lá quando precisou.
O problema dessa crença está no fato de que pesquisas já mostraram que a prática de estudos intensivo não funciona para manter o aprendizado vivo na memória no longo prazo.
O fato do aluno ter tido êxito em um teste no curto prazo, não significa que o conhecimento adquirido estará disponível nos meses e principalmente nos anos seguintes.
Prática espaçada no tempo
A prática espaçada é muito fácil de ser compreendida, mas, como disse anteriormente, ela não é muito aceita, portanto também não é muito praticada pela maioria dos estudantes.
Para se ter um exemplo de como funciona, pense no seguinte.
Imagine que um professor queira ensinar o assunto de uma matéria que tem quatro partes. O professor separa dois grupos de estudos e define assim…
O primeiro grupo, deve estudar quatro pontos deste determinado assunto que tem a duração de uma hora cada, totalizando assim, quatro horas. Este grupo fará isso quatro horas diretas, no mesmo dia, isso é a prática intensiva.
Já o segundo grupo, estudará os mesmos quatro pontos deste assunto que tem a mesma duração, mas fará o estudo de um tópico por dia ou até por semana. Isso é uma prática espaçada.
Um ponto interessante é que mesmo quando se consegue provar de maneira empírica que a prática espaçada é mais eficaz para o aprendizado de longo prazo, ainda sim os estudantes preferem ficar com a prática intensiva.
Parece até loucura, mas não é.
Essa relutância com uma estratégia que se mostra benéfica se dá pelo fato de que a prática espaçada necessita de muito esforço, enquanto a prática intensiva é de longe a mais fácil de se perceber evoluçã
o instantaneamente.
Prática intercalada, misturando os assuntos
Tal como acontece com a prática espaçada, também o mesmo preconceito atinge a prática intercalada.
A maioria de nós prefere estudar um assunto até seu esgotamento ao invés de intercalar entre três ou quatro.
Eu mesmo pude notar esse fenômeno acontecer na prática quando estava estudando para passar em meu primeiro concurso público, diversas vezes me peguei flertando com a ideia de largar tudo e focar numa única matéria até fechar para só então ir a próxima - Fico feliz e agradeço a Deus por não ter seguido adiante com essa ideia.
A prática intensiva é tentadora, porém, ainda mais para o estudo de concurso público, ela se mostra bem ineficaz devido ao tempo de preparação com o dia da prova que costumam ser distantes um do outro.
A prática intensiva, ou seja, estudo feito de uma só vez sem dar espaço de tempo e o estudo de uma única matéria são práticas que se apoiam na memória de curto prazo.
A prática espaçada no tempo, intercalada com outra aprendizagem e variada em sua ordem produz melhor domínio, tem retenção mais duradoura e é mais versátil, porém, esses benefícios têm um preço a ser pago.
Quando a prática é espaçada, intercalada e variada, ela exige mais esforço, e o grande problema está aqui porque, você sente esse esforço mas não os benefícios que só vem no médio e longo prazo.
Entender para qual finalidade estamos estudando tal matéria, assunto, ou habilidade, pode ser o antídoto para conseguirmos nos manter firmes no propósito da prática espaçada, intercalada e variada.
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